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Quem é desumano?

Ano novo, vida nova, competições começando, times reforçados, mas os velhos assuntos continuam os mesmos. Entre todos os assuntos chatos que rodeiam o mundo do futebol e ocupam inúteis horas de debates esportivos, um particularmente me irrita mais que todos os outros juntos. Esse assunto é a velha choradeira de parte da imprensa esportiva brasileira quando times tupiniquins tem que jogar em cidades com altitudes consideradas elevadas.

O ano de 2012 promete ser muito interessante para os amantes de futebol, e particularmente a copa Libertadores promete ser o grande destaque futebolístico do primeiro semestre. 3 grandes clubes cariocas vem com boas equipes e muita rivalidade. 2 grandes paulistas sendo um o atual campeão e favorito ao bi (bi em sequencia, tetra em títulos alternados) e o outro é o atual campeão brasileiro e vem com o velho trauma de nunca ter vencido a competição continental. Isso somado ao bom time do Internacional, a volta do Boca que não disputava há algum tempo, a sempre perigosa LDU, e o bom time da Universidad de Chile, entre outros, fazem da Libertadores de 2012 uma competição que promete ser uma das mais emocionantes da história.

Com tantos atrativos, podemos pensar que a imprensa está fazendo uma grande cobertura, mostrando destaques de várias equipes, etc. Mas não, a única coisa de que se fala (além das também chatíssimas contendas entre Ronaldinho e Luxemburgo) é sobre o Flamengo jogar na temida Potosí. Sobre a altitude “desumana”, um monstro mitológico que na boca de certos pseudo-intelectuais parece vestir a camisa 10 dos times locais, bater escanteios e cabecear a bola do escanteio que ela mesma cobrou.

O primeiro ponto que pretendo tocar sobre a “desumanidade” do assunto, é justamente o lado humano, imagine você, caro leitor, seja nascido onde for, que um “gênio” de um país estrangeiro saia dizendo por aí que a prática do que quer que seja na cidade em que você nasceu, ou vive, é desumana. Quer dizer que aqueles que conseguem praticar normalmente não são humanos? E os que nasceram e vivem nesses lugares? São o que? Animais? E Ts? Notaram o quanto esse tipo de declaração é no mínimo uma deselegância e uma tremenda falta de educação? Afinal de contas o que é mais desumano? Jogar futebol onde vivem milhões de pessoas e todos praticam esportes normalmente, ou dizer que fazer o que quer que seja em regiões habitadas por seres HUMANOS é desumano?

Outro ponto importante é o da saúde dos atletas, pois da última vez que o Flamengo atuou na mesma Potosí, a choradeira foi tão grande que chegaram até a fraudar relatórios médicos, e tudo que encontraram em toda a história foi a morte por ataque cardíaco de um atleta amador, em uma partida realizada na cidade de Oruro, do mesmo tipo que os que já mataram jogadores no Brasil, na França, em Portugal, entre outros países de altitudes baixas. E esse relatório obviamente nunca vai poder refutar os vários laudos sérios que comprovam que o risco de morte é o mesmo em altitudes altas ou baixas.

Aí os pseudo-intelectuais dirão que jogar na altitude é uma covardia, uma deslealdade, e que a diferença de desempenho de quem está adaptado para quem não está é absurda. Nesse caso também não é bem assim. Pra começar que jogar em casa é sempre uma vantagem, e quando se tem alguma particularidade ambiental que dificulte mais para o adversário, essa vantagem tende a aumentar. Exemplos não faltam, equipes que jogam em estádios grandes e com torcida distante do campo como o São Paulo por exemplo, sempre tem dificuldades de jogar na Vila Belmiro, ou na Arena da Baixada que são alçapões. O Juventude sempre usou o frio de Caxias, assim como o Paissandu o calor de Belém como uma arma a mais. Equipes italianas, e espanholas sofrem quando jogam no frio da Russia ou da Noruega. O Brasil teve uma grande vantagem quando enfrentou a Holanda em 94 no calor de mais de 40 graus de Dallas. Assim é o mundo em que vivemos, quente, frio, seco, úmido, alto, baixo.

Ainda no ponto da diferença técnica, muitos “especialistas” garantem que atletas profissionais praticamente não sentem dificuldades de respirar, mas que o problema maior é que a reação da bola é muito diferente, ela fica mais leve, e tem que colocar bem mais efeito para que ela faça curva. De fato isso é verdade, porém é uma situação com dois lados da moeda, pois quem está acostumado a jogar lá em cima, quando vem jogar em baixas atitudes sente a bola muito pesada (quase uma bola de futebol de salão) e rebelde, que faz muita curva, ou seja, o que dificulta um no jogo de ida, dificulta o outro no de volta.

Por fim dirão: “Se a altitude não é esse monstro, por que times tecnicamente superiores perdem tanto para equipes mais fracas?”. Isso se explica justamente pelo drama criado em alguns países sul-americanos (principalmente no Brasil) que não tem elevadas altitudes, quando seus times jogam lá. Simplesmente se criou um monstro tão grande, que ficou impregnado na cabeça das pessoas, nenhum jogador do Flamengo teme o Real Potosí, nenhum jogador brasileiro teme a hoje fraca seleção boliviana (que morre de saudade da geração de Baldevieso, Etcheverry e etc). Mas todos temem de forma exagerada e desnecessária o”jogador altitude”, e este fator psicológico faz toda a diferença. Posso citar dois exemplos que provam o quanto o medo da altitude provoca efeitos que ela não causa em ninguém.

Em 1992 quando o São Paulo, enfrentou o San José nos 3.700 Mts da cidade de Oruro, o vôo fez escala na cidade de Santa Cruz de la Sierra (que está praticamente no nível do mar) e por um imprevisto, a equipe brasileira teve que passar um dia na capital crucenha, como o Mestre Telê Santana não gostava de dormir em serviço, aproveitou o dia em Santa Cruz para treinar a equipe em um campo alugado. Eis que em poucos minutos de treino o atacante Macedo de tanto ouvir falarem sobre os males da altitude boliviana e com muito medo de passar mal naquele clima “desumano”, sentiu uma falta de ar insuportável e dizendo que não havia ar nenhum para se respirar, desmaiou. Sim, ele desmaiou devido ao “ar rarefeito” de uma cidade que está na metade da altitude de São Paulo!!!

Outro exemplo que posso citar é o exemplo pessoal meu, já estive em cidades de altitudes moderadas (Tarija e Sucre), e em cidades bem altas (La Paz, Potosí, El Alto, e Copacabana). Em minha primeira vez na Bolívia tive uma indisposição intestinal quando o avião estava prestes a aterrizar no aeroporto de El Alto, e devido a isso, meus primeiros minutos a mais de 4.000 mts de altitude foram de uma intensa corrida e descida de escadas em busca de um banheiro, e posso dizer que não senti nada de muito diferente do que senti quando tive de correr devido a apertos parecidos no Brasil. Nas cidades de La Paz, e Potosí, além de caminhar muito em subidas e descidas, fiquei hospedado em edifícios altos e sem elevadores (isso não é raro por lá) e cheguei a ter que subir escadas correndo sem problemas. Em Copacabana (não a praia carioca, mas sim a belíssima cidade nas margens do lago Titicaca) tive a experiência de jogar futebol com alguns garotos locais, e a única dificuldade que tive foi ter que usar de minha habilidade para chapelar uma ovelha que pastava ao lado da quadra, e sabe-se lá por que invadiu a quadra no meio do jogo.

Tenho um exemplo que comprova a importância do fator psicológico. Na escalada ao topo do pico Chacaltaya que fica há mais de 5.000 mts de altitude, na excursão rumo ao lindo pico nevado famoso pela pista de esqui mais alta do mundo, mais da metade dos turistas eram brasileiros, sendo a outra metade dividida em gente de várias partes do mundo, no final da escalada rumo ao pico estavam no topo, além dos guias locais, turistas noruegueses, israelenses, americanos, japoneses, ingleses(todos de países que não tem cidades muito altas), e dos brasileiros apenas meu irmão asmático, e eu chegamos no topo, todos os outros brasileiros pararam alegando que estava difícil respirar. O que mais pode explicar brasileiros sentirem um “mal da altitude” que o inglês não sente? A única explicação que encontro é um temor criado por gente que transforma uma coisa normal em um monstro.

Por fim recomendo que as pessoas antes de fazerem julgamentos, conheçam esses países belíssimos como Bolívia, Peru e Equador, e que todos os torcedores disfrutem muito dessa Copa Libertadores de nossa querida e diversificada América.

 

 

 

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25 vezes Ferguson

Nesta semana o Sir Alex Ferguson comemorou a incrível marca de 25 anos no comando do poderoso Manchester United, para coroar esse feito postarei 25 fatos da carreira e da vida do melhor técnico da história do futebol.

    1. Escocês nascido em Glasgow no dia 31 de dezembro de 1941, Alexander Chapman Ferguson, mais conhecido como Sir Alex Ferguson, além de técnico também foi um bom centroavante.
    2. Começou a carreira no pequeno Queen’s Park de Glasgow, e após grandes temporadas pelo mediano Dunfermline nas quais marcou 66 gols em 88 partidas, foi contratado por seu time de coração, o Rangers.
    3. Chegou ao Rangers com status de ídolo, e dentro de campo correspondeu marcando mais de 1/2 gol por jogo, porém uma polêmica em sua vida pessoal encurtou sua passagem pelo clube protestante de Glasgow. Apesar de ser de família protestante (o que na época era pré-requisito obrigatório para jogar pelos Rangers) Ferguson se casou com uma mulher católica, o que gerou um profundo mal-estar no clube. Após afirmar que havia se casado por amor e que era casado com Cathie e não com a igreja ou com o clube, acabou sendo forçado a deixar os light blues e se transferir para o Falkirk.
    4. No Falkirk acumula as funções de jogador e treinador, mas após a contratação de outro técnico, volta a ser apenas jogador.
    5. Após encerrar a carreira no Ayr United, inicia sua carreira de treinador no pequeno East Stirlingshire, um clube tão modesto que sequer tinha um goleiro de ofício, mesmo com todas essas limitações fez um grande trabalho que o levou a um clube maior, o St Mirren.
    6. No St Mirren fracassou e acabou despedido, mesmo assim os dirigentes do Aberdeen viram seu talento e resolveram apostar no talento do até então desconhecido e inexperiente Ferguson.
    7. Assumiu o Aberdeen em 1978 e começou a série de incríveis façanhas que se tornariam rotina em sua carreira. O clube não ganhava um título há longos 23 anos e em 8 temporadas no clube ganhou nada mais que: 3 campeonatos escocêses, 4 copas da Escócia, 1 copa da liga, 1 recopa européia e 1 super copa da europa. Isso com um clube mediano, em um campeonato dominado por 2 clubes (Rangers e Celtic) que monopolizam praticamente todos os títulos do país.
    8. Após comandar a seleção escocesa em grande campanha na copa de 1986, Ferguson teve a grande oportunidade de sua vida, assumindo o Manchester United.
    9. No início o  Manchester passou por grandes dificuldades e em sua primeira temporada acabou apenas em 11° lugar.
    10. Disciplinador, logo ao assumir os red devils tocou o terror afastando os astros beberrões Norman Whiteside, Paul McGrath e Bryan Robson.
    11. Na temporada seguinte, com alguns bons reforços, Ferguson levou os red devils ao vice campeonato inglês.
    12. Na temporada 89/90 a equipe alternou um longo período entre empates e derrotas e chegou a sofrer uma acachapante goleada de 5 a 1 para o arqui-rival Manchester City.
    13. Ainda na temporada 89/90 Ferguson teve seu trabalho questionado por grande parte da torcida que não aceitava ver um trabalho de longos 3 anos ainda não apresentar nenhum grande resultado.
    14. Em uma consulta informal a dirigentes do Leeds, Ferguson perguntou meio que de brincadeira sobre o atacante francês Eric Cantona, acabou contratando o jogador que mudou a história do Manchester united, transformando-o em um dos maiores clubes do mundo.
    15. Em 1999 na final da Champions league contra o forte time do Bayern de Munique colocou no final da partida os atacantes Ted Sheringhan e o norueguês Ole Gunnar Solskjaer. E aos 43 minutos do segundo tempo os bávaros venciam a partida por 1 a 0, mas a partida acabou 2 a 1 para os red devils com gols de Sheringhan e Solskjaer.
    16. Apesar de seus detratores o acusarem de ser mais um gerente do que um técnico propriamente dito, Ferguson não apenas comanda a parte tática do time, como também fez fama como criador de surpreendentes jogadas ensaiadas, as quais seus auxiliares obrigam os jogadores a repetir exaustivamente em treinamentos.
    17. Apesar de assumidamente míope, tinha o hábito de ver partidas sem óculos, até que após uma derrota entrou nos vestiários “cuspindo abelhas africanas” pra cima do goleiro dinamarquês Peter Schmeichel que supostamente havia falhado em um gol. Após a educada explicação do goleiro de que a bola havia desviado, Ferguson retrucou dizendo: “Só se desviou na sua mãe”. No dia seguinte Feguson viu o gol (e o desvio) pela TV em sua casa, pediu desculpas para o goleiro e nunca mais voltou a acompanhar uma partida sem óculos.
    18. A fama de durão não é à toa, após uma discussão com o astro David Beckhan, arremessou uma chuteira no jogador, cortando-lhe o supercílio.
    19. A quantidade de títulos de Ferguson no Manchester United é simplesmente surpreendente, são: 12 campeonatos ingleses, 5 copas da Inglaterra, 4 copas da liga, 7 super copas inglesas, 2 títulos da UEFA Champions League, 1 recopa européia, 1 super copa da Europa, 1 copa intercontinental e 1 mundial de clubes.
    20. Quando assumiu os red devils o maior campeão ingês era o Liverpool com 16 títulos, enquanto que o Manchester United tinha ganho o campeonato inglês 7 vezes.
    21. Hoje o Liverpool possui 18 títulos, enquanto que o Manchester é o maior campeão inglês com 19 conquistas.
    22. Assim como o histórico Matt Busby, Ferguson revelou grandes jogadores nas categorias de base, fazendo com que os garotos revelados por ele ganhassem o apelido Ferguie babyes em homenagem aos Busby Babyes revelados por Matt.
    23. Se entre os Busby Babyes surgiram talentos como George Best e Bob Charlton, os Ferguie Babyes David Beckhan, Paul Scholes, Gary Neville e etc não ficam atrás.
    24. Em 25 anos comandou os red devils em muito mais de 1000 partidas e escalou o craque Ryan Giggs mais de 800 vezes.
    25. Assumiu um clube já grande e de história centenária, e em 25 anos conseguiu aproximadamente 2/3 das conquistas do clube.

Encerro a homenagem a um dos maiores vencedores do futebol com uma frase de minha autoria: “Ferguson não é o Pelé dos técnicos, Pelé que é o Ferguson dos jogadores.”

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Classificação histórica do futebol inglês

Existem muitas formas de se analisar através de números a história de clubes, pode-se analisar pela quantidade de títulos nacionais, pelos títulos internacionais, pelos ídolos. Mas imagine se após o término de campeonatos a pontuação não zerasse e os pontos continuassem sendo somados, agora imagine isso em um campeonato com mais de 100 anos de história como é o inglês.

O resultado é que o Manchester seria líder com uma vantagem de 102 pontos em relação ao seu rival Liverpool. Equipes hoje muito badaladas como Manchester City e Chelsea ocupariam o décimo terceiro e vigésimo quinto lugares respectivamente. Outra surpresa é o hoje modesto Preston ostentando a quinta colocação.

Segue abaixo a lista com os 40 primeiros colocados:

 

 

1 Manchester United 5795
2 Liverpool 5693
3 Arsenal 5536
4 Wolverhampton Wndrs 5265
5 Preston North End 5254
6 Sheffield United 5173
7 Aston Villa 5159
8 Everton 5146
9 Burnley 5125
10 Sunderland 5107
11 West Bromwich Albion 5060
12 Blackburn Rovers 5059
13 Manchester City 5038
14 Newcastle United 5030
15 Bolton Wanderers 5029
16 Notts County 5018
17 Derby County 4987
18 Nottingham Forest 4967
19 Bristol City 4963
20 Bury 4950
21 Sheffield Wednesday 4935
22 Birmingham City 4875
23 Leicester City 4794
24 Grimsby Town 4793
25 Chelsea 4770
26 Blackpool 4766
27 Barnsley 4727
28 Lincoln City 4680
29 Stoke City 4668
30 Bradford City 4655
31 Hull City 4629
32 Stockport County 4605
33 Port Vale 4581
34 Chesterfield 4577
35 Huddersfield Town 4572
36 Middlesbrough 4555
37 Reading 4534
38 Tottenham Hotspur 4494
39 Oldham Athletic 4491
40 Millwall 4435

 

 

Classificação completa em: http://www.statto.com/football/stats/england/all-time-table

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Higuita: O escorpião rei

No futebol vários jogadores se destacaram por diversos motivos, Pelé e Maradona foram os melhores, Cruijff foi o mais tático e inteligente, Garrincha o mais habilidoso, Beckenbauer o mais versátil. Mas nenhum jogador atingiu notoriedade mundial de uma maneira tão exótica quanto René Higuita.
Habilidoso como poucos, Higuita foi a figura mais irresponsável da história do futebol, apesar de jogar como goleiro, ele nunca teve nenhum pudor em exibir sua habilidade, mesmo que para isso tivesse que colocar sua equipe em situações complicadas e até mesmo constrangedoras.
Colombiano nascido na cidade de Medellín, Higuita começou a se destacar defendendo o Atlético Nacional de sua cidade, equipe pela qual venceu a taça Libertadores da América em 1989, e nesta competição o mundo conheceu o goleiro que mais do que impedir os gols adversários, também fazia uns golzinhos e frequentemente saía de sua área para driblar os atacantes adversários.
Após vencer a libertadores, faltava para Higuita mostrar sua habilidade em uma copa do Mundo, e a oportunidade surgiu na copa da Itália em 1990. Sobre este evento podemos dizer que Higuita não decepcionou os fãs de sua irresponsabilidade mas não deve ter agradado o torcedor colombiano.
Depois de uma boa campanha na primeira fase, a seleção colombiana classificou-se para as oitavas de final, na qual enfrentaria a outra surpresa daquela copa, a seleção de Camarões do veterano Roger Milla. Prepotente, Higuita possivelmente subestimou os camaroneses e arrancou de sua área rumo ao meio de campo driblando os adversários, o que ele não esperava era que o astuto Milla já prevendo a jogada de Higuita lhe tomasse a bola e tocasse para o gol aberto e desprotegido, classificando Camarões e eliminando a Colombia do mundial.
Depois da copa de 90 poderia se pensar que Higuita nunca se superaria na arte de ser irresponsável, mas em um amistoso contra a seleção inglesa em 1995 ele provou que sua capacidade jamais poderia ser subestimada. No mítico estádio de Wembley em uma partida que tinha tudo para ser mais um amistoso sem graça, Higuita fez o exigente público inglês delirar ao fazer a defesa mais circense da história do futebol. Projetando seu corpo para a frente, dando um salto ao estilo “peixinho” e erguendo os calcanhares como um rabo de escorpião, Higuita defendeu um chute do meia inglês Jamie Redknapp com os calcanhares.
Apesar da incrível habilidade e da ousadia única, a irresponsabilidade fora dos campos equivalente a que tinha dentro deles, levou a carreira de Higuita ao declínio, envolvimento com o narcotráfico e suspensões por uso de cocaína mancharam sua gloriosa carreira. Mas sem dúvida Higuita deixou seu nome na história do futebol como um inovador que inspirou goleiros como o paraguaio Chilavert e o brasileiro Rogério Ceni a cobrarem faltas e penaltis e fazerem gols, o legado de René Higuita ficou para sempre na história do futebol mundial, porém sua habilidade e irresponsabilidade são únicas e jamais existirá outra figura como ele.

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A História do futebol, e as “estórias” do futebol.

 

 

Com imenso prazer recebi o convite do Em cima da linha para escrever esta coluna sobre História do futebol, um espaço no qual poderei fazer duas das coisas mais prazerosas da vida: Contar histórias, e falar de futebol.

Nada mais gostoso que poder falar desse jogo que alguns dizem não passar de 22 babacas correndo atrás de uma bola, mas que move bilhões de fanáticos em todo o mundo, dos caríssimos camarotes de Wembley até o mais modesto campinho de terra no interior da África.

Nesta coluna pretendo contar a história do futebol dentro das 4 linhas e também ir um pouco além delas, entrando na essência deste esporte, mostrando o quanto ele está relacionado a nossas vidas. Contando histórias de jogadores, treinadores, torcidas, estádios, clubes e sobre a importância deles para seus países, estados, cidades e bairros. Em resumo falarei sobre a importância do futebol para a sociedade.

Nesta coluna Manchester United, Barcelona, Cristiano Ronaldo e Messi terão a mesma atenção e importância que o Juventus da Moóca e Juca Baleia o lendário goleiro do Sampaio Corrêa, pois aqui mais importante que o resultado é a história.

Espero que ao ler a coluna sobre a História do futebol todos tenham o mesmo prazer que estou tendo ao escrevê-lá.