*Célio Gomes – Colunista do Jornal de Patrocínio, MG, desde 1981 (30 anos).
FASES DA INTIMIDADE
Quem já não se sentiu atraído por uma vizinha, ou até mesmo pela bela professora, que dava vontade de avançar no tempo e envelhecer para namorá-la... Mas tudo era superado facilmente pela energia que sobrava e podia ser aproveitada na doce liberdade de viver, sem muitas responsabilidades e com uma porção de brincadeiras divertidas à nossa inteira disposição. Depois veio o ”tempo das serenatas”, das rosas nas janelas e dos namoros, que rendiam alegrias e decepções... Bons tempos. Seguimos, de “fase em fase”, tendo nossos pais como os melhores doutores, capazes de nos responder quaisquer perguntas e curar quaisquer males; “Sempre a postos e dispostos a nos acudir em qualquer situação”. Então crescemos, e nem percebemos que os tais “envelheceram”. Por nossa vez, às vezes passamos horas e até dias, sem pelo menos falar com eles... No fundo, não deixamos de enxergá-los como super-heróis: “Não adoecem, não envelhecem, não sentem falta de nada”. Se algum deles tem alguma doença grave, nunca saberemos, pois nunca damos uma olhada nos seus exames médicos... Esquecemos de observar o que diz a chamada “perspectiva de vida”. Se observássemos, talvez nos alertássemos em tempo com o “silêncio” deles, percebendo quanto nos fazem falta, e o quanto eles nos falaram, seja através de atitudes e ou por meio de renúncias tantas... Simplesmente “tudo” o que ninguém nunca, em hipótese nenhuma, jamais fará por nós. E pensamos, pois, sobre muitas coisas que falamos para eles, inclusive frases irônicas como: “Ah, eu não pedi que fizessem isso para mim, fizeram porque quis”. E aquela que foi a mais imbecil de todas: “Olha, eu não pedi pra nascer, vocês é que me colocaram neste mundo”! E nem por um mísero segundo, tivemos a idéia de dizer a nós mesmos, aquela que seria a mais sensata e mais justa: “O que eu já fiz para os meus Pais”?! Mas a nossa maior palmatória, vai ser descobrir um dia, que as pessoas, para as quais dedicamos mais atenção que a que ofertamos aos nossos próprios Pais, não são na verdade nem sombra daquilo que supomos que fossem; Além do que, jamais tiveram ou poderá ter por nós, um diminutivo meio por cento que seja da consideração e do carinho que recebemos dos nossos Pais... Para nossa sorte, até a nossa estupidez, ingratidão e arrependimento, são finitos; O maior prejuízo fica por conta da felicidade que tivemos bem ao nosso alcance, e não soubemos aproveitá-la...
Afinal, nada é para sempre.