COLUNA EM CIMA DA LINHA DE CÉLIO GOMES, EDIÇÂO JORNAL DE PATROCÍNIO, MG, DE 11 DE JUNHO/2011

EM QUE ACREDITAS?
          Certa vez, um homem poderoso perguntou a um homem simples: “Em que você acredita”? O sujeito não titubeou em dizer: “Ora, acredito na força do meu trabalho, de onde vem meu sustento e da minha família”!

A TULHA E O CANTIL
          Muito tempo depois, os dois voltaram a se encontrar, e o tal poderoso, já idoso, porém gozando boa saúde, diante daquela pessoa bastante debilitada, insistiu na mesma pergunta. Com humildade, o bom homem respondeu: “Trabalhei de sol a sol, em serviços pesados, mas nunca enchi minha tulha de cereais improcedentes, nem coloquei água suja no meu cantil”. Nervoso, o que era tido como coronel, questionou: “Hei, não foi nada disso que lhe perguntei. O que eu quero saber é se acredita em Deus”. E ouviu como resposta: “Você sempre me perguntou o que na verdade deveria ter perguntado a si mesmo. Certamente que a minha conduta de vida nunca foi em virtude de crença e reverência aos homens da sua estirpe”. Numa crise de ira, o poderoso desabafou: “É, mas eu me alimentei bem, tomei bons remédios, continuo forte, e você vai morrer em breve”.

O REMÉDIO É CHÁ, E MATERIAL NÃO SE LEVA... 
          Tempos depois, na Capela do pequeno Lugarejo, o povo velava o corpo do coronel mais conhecido daquelas bandas. Entre um “zumzum” e outro, alguém cochichou no ouvido do sábio Ancião: “Não estou me sentindo bem, parece que é do estômago”. O Ancião receitou: “Toma chá de mentrasto, primeiro com doce e depois com sal”. Alguém que parecia ter uma boa relação com o morto, resmungou contrariado: “E agora, como fico eu”? O Ancião deu a receita: “Lembra das aulinhas dele, acrescenta gotinhas de servidão cega, que enxergará longe”. Um outro disse: “Meu bom velho, acredita que existe céu”? Depois de boa “fungada”, uma olhadela em volta, uns bons piscados daqueles olhinhos claros e entremeados nas tantas rugas, o velhote falou: “Ih, não chegou a tempo de perguntar a quem viveu num, mas que já se foi, sem mala, sem cuia e sem estribo”! Daí uma mulher bem vestida, levando a crer ser parente do defunto, também quis saber: “Levar o que daqui, sô”? As mãos trêmulas levaram o chapéu à cabeça, e a passos lentos a retirada se fez, seguida de uma frase: “Nada se leva a tiracolo, mas a gente envia o que pode antes de iniciar a viagem; isso não causa fadiga e dá numa morada e tanto”...

PELA ESCOLA DA VIDA
         A Corrida e o fogo da esperança” - Eram belíssimos barquinhos, sendo um de madeira e outro de papel. Coloquei-os na correnteza de um regato e perguntei a mim mesmo: “Célio, em qual dos dois você aposta”? Sem titubear, fui ao de papel, pela sua leveza. Os dois apetrechos deram a largada. E o meu escolhido, tomou uma velocidade surpreendente. Fui à trilha ao lado, acompanhando a “disputa”. Estava perto do brinquedo de papel, na dianteira, e quase não enxergava o de madeira, tão distante estava. De repente, para minha decepção, o barco de papel se desmantelou e embaraçou aos galhos secos à margem. E lá veio o barco de madeira, todo inteirinho, “liderando absoluto”! Resgatei os barquinhos, e o de papel coloquei para secar ao sol. A noite chegou, e como estava muito frio, apanhei alguns galhos secos para fazer uma fogueira. Nada do fogo avivar, até que me lembrei do “barco destruído” e com o que restou dele, acendi logo o fogo para me aquecer. O fogo vingou por pouco tempo. Foi então que peguei o barquinho de madeira e coloquei sobre as poucas brasas. Logo, chamas enormes surgiram, com previsão de longa duração. “Podemos iniciar um fogo com um simples pedaço de papel, mas só com a boa qualidade das nossas atitudes, podemos alimentar de fato as chamas da esperança”. Ora, eu tenho muitos “barcos”, e vez ou outra, tenho que queimar algum para dar lição a certas pessoas! CAFIFA!!!

CONCLUSÃO FINAL:
          Se o percurso for curto, o barco mais frágil, porém mais rápido, vence com certeza. “Fiquemos atentos na escolha dos nossos líderes”. Eles precisam ter qualidade, para suportar uma longa jornada. Ou ancoram numa margem qualquer, não chega a lugar nenhum e estacionam também os anseios de quem os escolheu. “Todo cuidado é pouco com os que jogam sua palavra ao vento, ou a petrifica em pedaços de papel”. Autênticos líderes honram seus compromissos!!!                    
Até e fiquem com JESUS.