"O ESPÍRITO DO PRESÉPIO". Mais uma Obra de Célio Gomes

“O ESPÍRITO DO PRESÉPIO.”


E os anos iam e vinham, e nada daquele pobre garoto conseguir armar o seu Presépio de Natal... A vida estava cada vez mais difícil, o tal dinheiro era coisa rara naquele humilde lar! Certo dia, quando o “pequetito” foi em busca de lobeiras para construir carrinhos, deparou-se com um ancião, que foi logo lhe dirigindo a palavra: “O que vais fazer com isso daí, filho?” Ressabiado com a presença daquele estranho, o pequenino respondeu: “Isso serve para fazer brinquedos, e como estamos perto do Natal, farei alguns para mim e outros, darei de presente...” O velho continuou a puxar conversa, até que ganhou a confiança do “mocinho,” e daí foi mesmo uma prosa e tanto... -“Gostaria de ter meu próprio Presépio,” reclamou o menino. O ancião olhou-o bem dentro dos olhos e retrucou: “Ora, se és capaz de fazer brinquedos, não será difícil com o Presépio!” Conversa vai, conversa vem, depois de algumas horas de bate-papo, os novos amigos se despediram, mas antes... O velho, mais uma vez com aquele olhar meigo e penetrante, encarou o garoto de frente, e passou às suas mãos um anel rústico que consigo levava... “Toma, se não conseguires construir a Estrela Guia, substitua por este anel.” E o tempo passou... O “pequetito tornou seu sonho realidade, e construiu um Presépio, utilizando todo material reciclado que tinha ás mãos...” Tudo pronto, ou melhor, quase... O impasse estava na Estrela de Belém, ou Estrela Guia como disse o ancião. É... Bastava que no Presépio não houvesse o pisca-pisca, devido que a humilde casa nem tinha energia elétrica... Todos os anos, uma comissão formada por moradores daquela pequenina cidade, percorria as casas onde havia Presépios, e escolhiam o mais bonito. O dono do Presépio vencedor recebia um belíssimo prêmio. Por falar na referida comissão, esta passava bem em frente á casa do “pequetito sonhador”... Ele nem mesmo se atreveu a dizer que também tinha um Presépio, mas eis que surge alguém que diz: “Espera, ali, ali naquela casa tem um Presépio...” O garoto estremeceu da cabeça aos pés! E agora, e agora? Lembrou-se evidentemente, que a sua obra estava inacabada, faltava a estrela, e para não dizer das luzinhas pisca-pisca... Dos males, o menor, correu o menino a ajeitar o tal anel em algum lugar do Presépio. “Puxa, como aquela coisa sem brilho representaria a  mais linda estrela de toda a história do mundo?”  Indagou-se o aflito mocinho! É, mas foi a única saída... Finalmente, lá estava o “pequetito”, ansioso e temeroso de ouvir as mais terríveis críticas... Imperava o silêncio, silêncio total! O que estaria acontecendo? Hi... Lá estavam eles, os da comissão julgadora, perplexos diante de um Presépio simples, tão simples como foi a vida do principal Personagem ali homenageado. O que mais encantava, era o brilho deslumbrante da estrela, com formas diferentes daquelas até então, conhecidas nos “Presépios comuns...” A luz era tão intensa, tão bela, que originou uma brincadeira: “Não é que capturaram a estrela original?” Ficou decidido que naquele ano, o prêmio seria em dobro! A ceia do Natal foi farta, a família toda ganhou vários presentes...  A vida do jovenzinho e da sua família mudou completamente. Vieram dias melhores, sua casa teve os melhoramentos necessários, inclusive da tal energia elétrica! Era então, hora de devolver o anel, mas onde encontrar o ancião? Quando o encontrasse, como explicar-lhe que seu anel ficava mágico quando colocado em meio aos ornamentos do Presépio? O tempo passou e passou... O “pequetito” já não era tão pequetito, e ele sabia... E então entendeu, entendeu quando, em meio à celebração de uma Missa, o Sacerdote falou entusiasmado sobre o brilho especial da estrela de Belém, da luz irradiada pela verdadeira fé...
“DEUS ESTÁ NO MEIO DE NÓS”! NO SORRISO E NA INOCÊNCIA DE UMA CRIANÇA, NOS LARES HUMILDES, NO SERENO E EXPERIENTE OLHAR DO ANCIÃO, NOS ANSEIOS DA MOCIDADE... ESTÁ ENFIM, ONDE ESTIVER O AMOR, A SOLIDARIEDADE E A FRATERNIDADE CRISTÃ. FELIZ NATAL A TODOS! CREIAM, E REALIZARÃO TODOS OS SEUS SONHOS! *Célio Gomes.