QUE VENHA COMIGO QUEM TEM CORAGEM PARA PROCEDER A UMA "FRANCA REFLEXÃO":

Aquele dia "era só meu"... Podia e devia pensar assim, mergulhado em tamanha paz e nas tantas lembranças, "em meio a tão mágica natureza"! O regato de águas límpidas corria lento e sereno, como se ousasse desafiar o próprio tempo... Eu não. Não tinha tanta força assim, só observava tudo no mais profundo silêncio. Espertos, meus olhos catavam "aqui e acolá" alguma coisa que mais chamava minha atenção. Vi quando uma formiguinha, toda segura de si, "surfava de carona" sobre uma folhinha verde que "deslizava" por aquele lindo "espelho em movimento"... Pensei comigo mesmo, "será que ela retornará ao seu ninho"?! E eu próprio "temendo por ela", respondia rapidinho: "Claro que sim, é uma formiguinha esperta e encontrará um meio"... 

Olhei novamente para um bicho preguiça que desde que havia chegado àquele local, me deixava intrigado, e percebi que o tal pouco havia se movido até então. Daí pensei em nós, seres humanos, que somos tão ágeis, mas que às vezes se nos dá a impressão "de não termos chegado a lugar algum"... Puxa! Mas aquela coisa tão lenta vive numa tremenda paz! Quanto terreno percorre em toda sua vida?! Deve ser algo em torno de... Parei, refleti, dei outra olhadela no meu amigo com aqueles seus olhinhos miúdos e preguiçosos, "não consegui tirar uma conclusão". Mas sabia que se voltasse no outro dia não mais o veria. "Já havia acontecido isto comigo antes"; E a gente fica imaginando, mas nunca entende como se vão para longe das nossas vistas, com seus movimentos "câmera lenta"... 

É... Cerca de um milhão de "pequenos eventos" aconteceram naquele local, no intervalo que ali fiquei meditando, ouvindo apenas o som da natureza! Desde "a formiguinha surfista", a algazarra desafiadora dos pássaros; À lentidão do regato, "o esguio e encouraçado tatu", se enfiando terra adentro como "um tanque de guerra", a voluntariosa jornada do bicho preguiça; Do grilo "tagarela irritante", que não via, "parecia invisível"; Do pássaro joão de barro, construindo sua casinha com tanto zelo e por aí vai...

Como se nos "blindamos", quando a coisa fica feia? "Vazamos chão a dentro"?! Isto resolve? Por que corremos cada vez mais, dia após dia?! Como viajamos tanto, sempre cada vez querendo chegar mais depressa?! Por que "de tempos em tempos" nos desencontramos, nos perdemos em tão pequenos espaços?! Por que, "vez ou outra" se nos toma um sentimento de não nos sentirmos seguros na nossa própria casa, dando vontade de ter "um blindado" à nossa disposição?! O que construímos "de fato" para nos orgulharmos?! Não vale o que "tecemos", que sequer a nós mesmos "agrada"... *Célio Gomes 

                                                   CÉLIO GOMES
EDITOR E REDATOR DOS BLOGS: 
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