"PLANEJAR A INFELICIDADE DE OUTREM CUSTA ALTO PREÇO"...

   Fonte: Diário Espírita

Na compreensão espírita, desejar a infelicidade de alguém nunca constitui um movimento isolado, dirigido apenas para fora. Antes de alcançar o outro, esse impulso passa pela intimidade de quem o produz, marca-lhe os pensamentos, altera-lhe o campo emocional e compromete-lhe a paz. Eis por que Chico Xavier toca um ponto da vida moral: quem planeja a dor alheia começa, no mesmo instante, a erguer dentro de si o desequilíbrio.
A doutrina ensina que o pensamento não é abstração inofensiva. Pensar é agir em faixa sutil. Alimentar inveja, saborear a queda do semelhante, planejar humilhação ou difamação, tudo isso já representa emissão real da alma. Mesmo sem ato externo, a vontade inferior molda fluidos, cria sintonia e abre passagem para forças espirituais compatíveis com esse teor íntimo. O espírito passa a viver no clima que escolheu gerar.
Nessa perspectiva, o abismo não surge como castigo imposto por Deus. Surge como consequência moral de uma lei. Cada consciência grava em si a qualidade do sentimento que cultiva. Quem insiste no mal deliberado obscurece a visão, endurece a sensibilidade, enfraquece o discernimento e se afasta, pouco a pouco, das fontes superiores de auxílio. A vítima pode sofrer por algum tempo, mas o agressor moral já traz em si a semente da perturbação que mais tarde florescerá em angústia, remorso ou prova reparadora.
Por isso o Evangelho, lido à luz do Espiritismo, insiste na caridade, na oração pelos adversários e na vigilância interior. Não se trata de mera regra de convivência. Trata-se de higiene espiritual profunda. Impedir que a maldade encontre abrigo em nosso mundo íntimo já é proteção. Recusar o prazer da vingança já é libertação.
Ninguém se eleva ferindo. Ninguém cresce cavando ruína para o próximo. Toda criatura que coopera conscientemente para a dor de um irmão lesa a própria consciência e adia a própria paz. A verdadeira vitória espiritual começa quando o coração, mesmo visitado pela mágoa, prefere não descer ao nível da sombra. É nesse instante que a alma deixa de abrir abismos e começa, diante de Deus, a construir caminho.

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