TOMA HISTÓRIA DA SÉRIE "PELA ESCOLA DA VIDA"! VENHAM COMIGO...

PELA ESCOLA DA VIDA

Há muito tempo, quando trabalhava na construção civil, houve uma ocasião em que me encontrava realizando uma reforma numa fazenda... Em frente a casa (Sede) havia uma enorme árvore, e era justamente em meio aos seus galhos hospitaleiros, o lugar preferido das barulhentas “maritacas”. Diariamente, lá estavam elas, aos bandos, aprontando a maior folia! O filho do fazendeiro não gostava nada daqueles “gritinhos” estridentes, e utilizando uma espingarda de pressão, vez ou outra derrubava uma das pobres avezinhas. Disse para ele que aquilo não era certo, mas o mesmo retrucou, dizendo que elas não passavam de "uma praga"! 
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Certo dia, notei que alguma coisa se mexia entre a grama. Com cuidado, fui procurando e deparei com uma maritaca, com a asa direita aberta e sangrando... Foi difícil capturar a bichinha, pois ela era arredia e parecia invisível, tão verde quanto a relva. Coloquei-a dentro de uma caixa de madeira, fiz alguns furos para que não lhe faltasse oxigênio. Utilizei o que estava à mão para curar a ferida: Sal, mercúrio, mertiolate... 
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Durante a tal "missão de salvamento" levei muitas bicadas, ficando marcas nas minhas mãos. “Como era brava aquela pequetita"! "Com a ajuda da esposa do Caseiro, consegui medicá-la e alimentá-la, apesar da sua insistência em me atacar. Era compreensível, pois além de ferida, ela desconhecia o respeito e o carinho de um ser humano. 
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E foi na manhã do 5º dia de turbulenta convivência com a minha “paciente”, que ao abrir a caixa para lhe prestar os rotineiros cuidados, levei um baita susto quando a danada voou, passando por entre as minhas mãos e indo pousar numa árvore próxima; Em seguida, ousou um bater de asas mais rápido, alcançando as alturas, se distanciando até desaparecer das minhas vistas. É... Aquela avezinha havia mesmo conseguido sobreviver e eu me sentia realizado... 
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Uma semana depois, como sempre fazia depois do almoço, desloquei-me até à sombra da grande árvore, onde descansava e curtia a beleza da natureza. Estava absorto em meus pensamentos quando deu início uma barulheira infernal, dando a impressão que haviam dezenas, centenas de pássaros fazendo algazarra; Para minha surpresa, vi apenas uma solitária maritaca, que voava afoita por sobre minha cabeça, parecendo determinada a me expulsar daquele local; 
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Instintivamente, olhei para o chão e deparei com uma cobra cascavel, pronta para dar o bote... Cautelosamente, apanhei um galho seco e o atirei sobre a dita cuja; Enquanto o bicho enfurecido, se atracava com o galho, tratei logo de me afastar. Passado o susto, voltei minha atenção à procurar a empenadinha que havia me alertado do perigo. E lá estava uma maritaca em cima da porteira, fazendo acrobacias, alegre como se estivesse comemorando uma grande vitória; Depois de ficar quieta e em silêncio durante alguns segundos, alçou um voo rasante, passou bem perto de mim e foi para o alto se juntar a outras que passavam na maior cantoria naquele instante. 
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Por algum tempo fiquei como que se estivesse hipnotizado, “matutando”: Seria aquela avezinha a mesma que encontrei ferida e dela cuidei? Teria ela me socorrido em sinal de agradecimento?! “Nunca vou saber, mas o certo é que existem mais mistérios ente o céu e a terra do que grãos de areia em todo o mundo; De qualquer forma foi para mim mais uma lição de como vale a pena reverenciar a vida, mesmo que seja a de um passarinho intrometido e tagarela”... *Célio Gomes

CÉLIO GOMES
EDITOR E REDATOR DOS BLOGS: 
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CÉLIO GOMES - ESCRITOR E POETA: CELIOGOMESPTCBLOGSPOT.COM    
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