Fonte: Cida Cézar

 

Esta fotografia foi tirada durante o último filme completo de Marilyn Monroe. Um ano depois, ela tinha desaparecido. Mas o homem ao lado dela manteve uma promessa que iria partir o teu coração.
Nevada, 1960. O calor brutal do deserto. Tensões rolando alta no set de "The Misfits. "
Marilyn Monroe estava a desmoronar-se.
Seu casamento com o dramaturgo Arthur Miller - que escreveu o filme especificamente para ela - estava desmoronando em tempo real. Ela estava lutando contra o vício em comprimidos para dormir. Lutando contra a depressão. Chegando para marcar horas atrasado, às vezes nem um pouco. O elenco e a equipe estavam perdendo a paciência.
Mas houve uma pessoa que nunca desistiu dela.
Allan "Whitey" Snyder. O maquiador dela. O amigo dela.
Whitey estava com Marilyn desde o início - quando ela era Norma Jeane, uma modelo desconhecida tentando entrar em fotos. Ele maquiou-a para os primeiros testes de ecrã. Vi-a transformar-se de uma estrela em dificuldades na mulher mais famosa do mundo.
Mas mais do que isso, ele esteve lá através de tudo o que o mundo não viu.
A insegurança que nunca passou por mais famosa que ela se tornou. A solidão de ser desejada por milhões mas verdadeiramente conhecida por quase ninguém. O medo que ela fosse apenas uma imagem fabricada, não uma pessoa real.
Whitey viu a verdadeira Marilyn. E ele amava-a - não como uma fantasia, mas como um ser humano.
No set de "The Misfits", enquanto outros ficaram frustrados com suas lutas, Whitey permaneceu paciente. Devagar. Presente. Ele entendeu que debaixo do ícone estava uma mulher que estava se afogando e não sabia como pedir ajuda.
Esta fotografia captura um daqueles momentos tranquilos entre takes. Sem câmaras a filmar. Nenhuma performance necessária. Apenas Marilyn com alguém que a fez sentir-se segura.
Anos antes, Marilyn tinha dado a Whitey um presente que parecia uma piada negra na época: um clipe de ouro com as palavras "Enquanto eu ainda estou quente. "
Foi a forma dela de pedir - sem realmente pedir - um último favor.
"Promete-me que se algo acontecer", disse-lhe ela, "você vai fazer a minha maquilhagem uma última vez. Não quero que mais ninguém toque na minha cara. "
Whitey riu-se. Fiz a promessa pensando - esperando - que ele nunca tivesse que cumpri-la.
"The Misfits" terminado em novembro de 1960. Seria o último filme completo de Marilyn, embora ela não o soubesse na altura.
O filme em si era assombroso - uma história sobre pessoas quebradas tentando capturar cavalos selvagens no deserto, uma metáfora perfeita para a vida de Marilyn: bela, frágil e impossível de conter.
Ela se divorciou de Arthur Miller dias após o fim das filmagens. Lutei por mais um filme incompleto. Tentei reconstruir. Tentei curar-me.
Em 5 de agosto de 1962, Marilyn Monroe foi encontrada morta em sua casa em Los Angeles. Ela tinha 36 anos.
E o Whitey Snyder teve de manter a promessa.
Foi ele que a maquiou para o funeral dela. Uma última vez. Tal como ela pediu.
Ele trabalhou com o mesmo cuidado e ternura que lhe mostrara durante quinze anos. Certifiquei-me de que ela parecia tranquila. Lindo. Como ela mesma - não o ícone de Hollywood fabricado, mas a verdadeira mulher que ele conheceu.
"Enquanto ainda estou quente", dizia a inscrição.
E o Whitey manteve a sua palavra.
Esta fotografia não é apenas uma foto dos bastidores de um cenário de filme. É um momento de amizade genuína numa vida que muitas vezes foi terrivelmente solitária apesar de toda a fama.
É a prova de que Marilyn Monroe - a mulher mais fotografada, mais desejada e mais mitologizada da sua geração - tinha pelo menos uma pessoa que viu além da imagem e amou a pessoa por baixo.
E é um lembrete que, às vezes, os maiores atos de amor são os quietos. A presença do paciente quando alguém está com dificuldades. As promessas foram cumpridas mesmo quando partem seu coração.
Whitey Snyder podia ter-se afastado quando as coisas ficaram difíceis. Quando a Marilyn estava atrasada, pouco confiável, confusa. Quando o glamour desvaneceu e tudo o que restava era uma mulher assustada a lutar batalhas que ninguém mais podia ver.
Mas ele ficou.
E quando ela precisou dele uma última vez, ele estava lá.
Isso não é apenas uma maquilhadora. Amizade de verdade é assim.
~Clube de Fotos Antigas:


*Célio Gomes/Fundador e Administrador do Grande Complexo Online Em Cima da Linha, de Patrocínio/MG, "Capital Mundial do Café" - Brasil.