Fonte: Diário Espírita
As incompreensões ferem, sobretudo quando nascem exatamente dos lugares onde o coração imaginou repouso, acolhimento e lealdade. Uma palavra distorcida, um julgamento precipitado, uma exigência injusta, e logo a alma sente a antiga tentação de interromper o próprio passo, como se a incompreensão alheia pudesse anular a verdade do dever abraçado com sinceridade. Nesse ponto delicado, muita gente se enfraquece não por falta de boa vontade, mas por conceder aos ruídos exteriores um poder que eles não deveriam possuir.
A vida interior amadurece quando a criatura aprende que nem toda crítica merece abrigo, nem toda cobrança merece crédito, nem toda desaprovação merece resposta. Certas vozes exigem sem conhecer a luta íntima de quem escutam. Certas presenças pedem perfeição sem oferecer amparo, clareza ou ternura. Certos julgamentos nascem de espíritos ainda distraídos pelo egoísmo, incapazes de perceber que cada consciência atravessa provas muito particulares, silenciosas e profundas. Acolher tudo isso sem discernimento seria permitir que a perturbação dos outros governasse o campo sagrado da própria alma.
Joanna de Ângelis, com a firmeza serena que lhe marca o pensamento, aponta um caminho de grande sabedoria moral: agradar à consciência do bem. Nessa orientação mora uma disciplina libertadora. Não se trata de endurecer o coração, tampouco de desprezar o olhar do semelhante. Trata-se de reconhecer que o bem verdadeiro nem sempre virá acompanhado de aplauso, compreensão imediata ou reconhecimento humano. Muitas vezes, a fidelidade ao dever pede silêncio, continuidade e recolhimento, enquanto a mente permanece em paz diante de Deus.
Uma consciência reta não elimina a dor das incompreensões, mas impede que elas definam o destino. A alma pode sofrer e, ainda assim, prosseguir. Pode sentir o peso de uma injustiça e, ainda assim, não se desviar. Pode ser mal interpretada e, ainda assim, conservar a delicadeza. Eis uma das formas mais altas de fortaleza espiritual: seguir sem amargura, continuar sem vaidade ferida, manter-se fiel ao bem sem transformar a própria dor em espetáculo.
